sexta-feira, 25 de novembro de 2016
sábado, 25 de junho de 2016
sábado, 28 de maio de 2016
quinta-feira, 26 de maio de 2016
AMOR GENUÍNO
Há tempos, muitos escrevem sobre o amor; tarefa difícil, pois sempre faltam palavras para expressá-lo. Mas onde e como começa tal sentimento?! Mantê-lo é possível?
Depois de cada voo, é em casa que estão nossos melhores amigos – nosso amor genuíno – esperando-nos.” Rita L.M.
Um mito, um mistério ou algo que incomoda por não conseguir entendê-lo: esse é o amor? Não há palavras para conceituar, descrever, relatar. Ele – o amor - nasce da simplicidade do olhar, do sorriso, do gesto. Só o percebe quando se aprende a valorizar as qualidades, a admirar as atitudes, a querer estar sempre perto, a sentir saudade de alguém.
É do amor que nascem outros sentimentos tão nobres quanto; afinidades imanentes. Por vezes arrebatador, por vezes doído (ou doido?), por vezes feliz, por vezes angustiante, e sempre indefinível. Misturas, antíteses, paradoxos. Alguns dizem que ele acaba, termina; outros, que não. Na verdade, ele só se transforma. Para o filósofo Heráclito de Éfeso, ninguém entra no mesmo rio uma segunda vez, pois quando isto acontece já não se é mais o mesmo; assim como as águas que já serão outras. Assim é o amor: os vários tipos, os vários jeitos, os vários momentos. Ninguém ama igual o tempo todo, mas ama; e ponto.
Tão abstrato ao senti-lo e tão concreto quando surge o risco e/ou a perda de alguém. O chão abre sob os pés, faz o coração bater descompassado, sufoca. É um querer sem ter como controlar ou ir contra, é uma fera que cresce para defender a cria, é uma força que salta às entranhas, é um trocar de lugar só para a pessoa amada não sofrer, é o coração batendo literalmente em outra morada.
Mas quando se sabe que o amor está ali – à disposição - , esquece-o num canto qualquer do lar. Sim, a maior manifestação de amor se dá entre os familiares; pessoas que convivem diariamente sob o mesmo teto, dividindo as mesmas dificuldades, tristezas, angustias, conquistas, vidas. O que era o seu orgulho, a sua admiração, a sua maior preciosidade, agora o é de outrem. É bastante comum as pessoas rebaterem frases como: “ Nossa, seu filho é um menino de ouro” com “Fique com ele algumas horas para ver se achará isso mesmo”. Ou: “Sua mulher é muito carinhosa, prestativa demais” com “Quer para você? Não aceitarei devolução”. E ainda: “Seu marido parece ser tão bom, que sorte a sua” com “Sorte? É porque você não vive com ele”.
O amor foi dar uma voltinha logo ali, ou a certeza – autoconfiança - de que ele não irá embora é tão grande que o deixa assim, sem o aparente amor? Já disse algum poeta em algum lugar que o amor é como uma flor, precisa de cuidados; cultiva-se. Senão vem alguém, pega a plantinha já sem vida jogada no canto, remove a terra, rega e terá o mais belo perfume e imagem.
O amor genuíno é o familiar: “Sim, meu filho é minha maior riqueza” – não importa as rebeldias dele, pois tudo é fase; “ Minha mulher é muito mais que isso que você está vendo, foi por esse e tantos outros detalhes que eu a escolhi” – lembre-se: você também é insuportável por várias vezes, ranzinza; “ Parece bom, não, meu marido é o melhor homem desse mundo!” – você o escolheu, lembra?!
É , querer dizer o amor em palavras é algo realmente impossível, porém a maior busca deve se ater ao despertar diário desse único – talvez o maior de todos – sentimento. Quando o amor começa na própria vida e se estende as outras que foram escolhidas para dividir os melhores e piores momentos, tudo passa a fazer mais sentido e se conquista a nobreza de se viver com leveza.
O amor é libertário. Não é exigente nem tão pouco perfeito; logo, não o seja também. Como disse João Guimarães Rosa, “...o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou.”
O amor muda ao passo que as pessoas mudam. Se elas mudam cultivando sabores, jamais colherão dores.
obvious
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
SUICÍDIO CRESCE NO BRASIL
Aumenta
o número de brasileiros, sobretudo jovens, que tiram a própria vida. No Brasil,
nos últimos anos, as mortes por suicídio de pessoas entre 15 e 24 anos
cresceram 1.900%.
Temos
um problema sério pela frente: no Brasil, em 20 anos, o número de mortes por
suicídio cresceu 1.900% na faixa etária de 15 a 24 anos. Com tal incidência,
representa a terceira principal causa de morte de pessoas em plena vida
produtiva. As consequências atingem também a família. Pesquisas mostram que
cada morte afeta profundamente e por tempo prolongado pelo menos cinco pessoas.
As
estatísticas revelam a extensão de um problema que merece a nossa reflexão. Nos
últimos 40 anos, as taxas de mortalidade mundial por suicídio subiram cerca de
60%. Nada menos do que um milhão de pessoas morrem por ano por essa causa, uma
morte a cada 40 segundos, praticamente todas elas em consequência de depressão
ou de algum transtorno mental.
Estimativas
da Organização Mundial de Saúde (OMS) sinalizam que haverá mais de 1,5 milhão
de vidas perdidas por esse motivo em 2020, representando 2,4% de todas as
mortes. A OMS também registrou que permanece a tendência de crescimento das
mortes entre os jovens, especialmente nos países em desenvolvimento.
Diante
da gravidade do assunto, o tema há alguns anos passou a integrar as políticas
de saúde pública em diversas partes do mundo. Com a criação de programas de
prevenção, países como os Estados Unidos já estão conseguindo reduzir o número
de casos. “Isso mostra que a melhor conduta é criar redes de proteção para dar
o suporte necessário às pessoas em risco e suas famílias”, opina Humberto
Corrêa, psiquiatra e chefe do Departamento de Saúde Mental da Universidade
Federal de Minas Gerais.
Em
2006, o governo brasileiro formou um grupo de estudos para traçar as diretrizes
de um plano nacional de prevenção do suicídio, que deve ficar pronto este ano.
A promessa é incluir verbas no orçamento de 2008 para colocar essas ideias em
prática. “O que existe hoje é apenas uma cartilha destinada a profissionais da
saúde”, comenta o psiquiatra.
Reduzir
as taxas de suicídio é um desafio coletivo. A sociedade precisa romper com os
tabus e se engajar nessa batalha. Apesar de não serem raras as famílias em que
alguém não tentou ou morreu, pouco se fala do assunto. A mídia, um poderoso
instrumento de educação e conscientização, também se omite sobre essa questão
“desgostosa”. “Mas a nossa resposta não pode ser o silêncio. Nossas chances de
chegar às pessoas que precisam de ajuda dependem da visibilidade”, prossegue o
médico.
Quem
pensa em se matar deve saber que mais gente pensa sobre isso e pode ajudar. No
final de junho, entre os dias 28 e 30, 80 conferencistas de 16 países se
reuniram em Belo Horizonte (MG) para trocar as suas experiências sobre o
assunto durante o II Congresso Latino-americano de Suicidologia. “Uma das
nossas tarefas é convencer donas de casa, pais, educadores, jornalistas,
publicitários, líderes comunitários e de opinião de que o debate sobre o
suicídio não é uma questão moral ou religiosa, mas um assunto de saúde pública
e que pode ser prevenido. Aceitar essa ideia é o primeiro passo para poupar
milhares de vidas”, conclui Humberto Corrêa, que presidiu o evento.
Dicas
Úteis:
Leve
a sério quando alguém ou um parente diz que a vida não vale a pena e se mostra
deprimido. Por baixo disso pode estar a intenção de interromper a vida.
Estudos
em diversas regiões do planeta mostram que quase todos os indivíduos que se
suicidaram estavam padecendo de um transtorno mental.
A
Inglaterra conseguiu reduzir o número de mortes por suicídio com um amplo programa
de tratamento de depressão.
No
Rio de Janeiro há um serviço especializado para quem perdeu pessoas próximas
por suicídio, o Projeto Conviver. Outro começará a funcionar em Belo Horizonte,
em Minas Gerais, este mês.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
AMOR NÃO É APEGO, NEM SOFRÊNCIA
A questão é simples e
complexa, segundo os budistas: amor de verdade não dói. Ele inunda o coração e
se basta sozinho. Já o apego traz sofrimento, porque guarda dentro de si o medo
da perda. Da rejeição. De "ficar sem a pessoa", de "ficar sozinho".
O amor não pode ter medo de perder porque não perde nunca – ele existe
indiferente da reciprocidade. Existe em si mesmo.
Desde pequenos fomos
ensinados a pensar em amor e apego como quase sinônimos, e a encarar com alguma
benevolência um ciúme "saudável", ou o medo de perder o amado (a)
como prova de que realmente o que se sente é amor. Séculos de literatura, arte
e poesia na nossa sociedade ocidental nos moldaram a pensar assim – isso desde
as dores do amor romântico do jovem Werther, passando por Lady Gaga, até os cantores atuais da sofrência. Os
budistas lidam melhor com a questão – recomendo palestras do Dalai Lama e da
monja Jetsunma Tenzin Palmo sobre o tema. Fácil de achar no you tube.
Sou claro, eu, como a
maior parte dos mortais, compreendo racionalmente a diferença entre os dois
sentimentos – mas daí a separar apego e amor dentro do coração é outros
quinhentos. Lembro-me de ouvir palestras e ler sobre o assunto e literalmente
passar por cima dele – afinal, eu entendia a ideia, mas não via como colocar em
prática. Era abstrato demais. Algo que só pessoas muito evoluídas
espiritualmente ou com décadas de análise talvez pudessem sentir. Mas não. Um
dia aconteceu. E foi num sonho.
Parênteses: Alguns dos
nossos melhores insights vêm nos sonhos – não levante correndo para engolir um
café e correr para o escritório. Tire pelo menos uns 5 minutos para ouvir o que
o seu mundo interno tem a dizer quando você dorme e a consciência relaxa.
Anos depois de um
término, sonho que recebo uma carta. Uma embalagem com carimbo e selo de algum
país distante. Abro o pacote e encontro um casaco cinzento e antigo, com
bandeirinhas, selos e brasões de vitórias passadas. Dentro, uma foto minha. E
um poema, numa letra e língua que não consigo entender.
No sonho, vestida com
aquele casaco de tantas guerras, percebia que era eu quem ele buscava. A pérola
invisível, escondida no conteúdo translúcido da concha. E que ele, debaixo de
tantos brasões e realizações, de tantas máscaras a que a vida nos obriga a usar
para vencer no mundo, também era. The real deal. O czar medroso, generoso e
puro que se esconde por trás da armadura, para não doer mais. É, mas não sabe.
Nem quer saber. Quando irá acordar, meu deus?
Nunca – diz meu
coração. E de repente me sinto aliviada, sem aquele peso. Porque não preciso de
mais nada. O que sinto é suficiente – e enorme o bastante para me fazer querer
viver muito mais. Ainda no sonho, passo por aquela rua, aquela casa. Fecho as
janelas do táxi, fecho os olhos. Deixo ir.
Estou na praia,
sozinha. Observo as ondas à noite e contenho meu desejo de me fundir ao céu e
mar noturno. Entre os dedos seguro uma, duas, três conchas – as mais bonitas
depois da ressaca. Com cada uma delas pesando suave na mão, espero pelo dia em
que possa entregar a dele – o amuleto que o protegeria do mundo cão em que ele
(sobre)vive. Esse dia não vai chegar, olho para o mar e sei. Mas isso não muda
nada. Nem me faz querer nada que não seja pura oferta da vida, do mar. Do
mundo.
Querer, querer. Só
queremos. Queremos ter tudo – e vivemos presos no medo de perder o que
"conquistamos". Escuto as ondas indo e vindo e me sinto livre – ainda
estou inteira. Cada vez mais. Nossas memórias passam pelo espelho das águas
como flashes, mas não trazem saudade – o tempo-espaço é acessível a qualquer
fechar de olhos. A cada onda que se quebra no horizonte.
Os budistas dizem que o
todo sofrimento vem do desejo (não sou budista e ainda não atingi o nirvana
para interpretar corretamente essa frase), e que o caminho para sair da prisão
do apego e da dor é deixar ir. Aprender a se bastar. E ficar genuinamente feliz
com o crescimento do outro – mesmo que ele tenha escolhido viver longe de você.
Fácil falar, não é? Mas
eu juro que num segundo, dentro de um sonho, foi fácil – e a partir daí foi
ficando cada vez mais natural.
Porque amor de verdade
não precisa do outro. Afinal, o outro está sempre contido dentro do amor. Não
como um fantasma – mas como uma constância que faz nosso coração bater mais
rápido em cada respirar de maresia, em cada linha de um poema. E não, não dói.
A felicidade do outro passa a ser sua também, porque é impossível sentir algo
que te completa e expande tanto e ser mesquinho, querendo aprisionar o que só
existe quando há entrega – e para haver entrega é preciso haver liberdade.
Amor de verdade é
gratuito e autossuficiente, eterno no tempo como uma onda sonora que se propaga
infinita, repercutindo no espaço. No espaço, em algum lugar, nós. Lembra?
Não, você não lembra.
Mas não faz mal. Eu lembro por nós dois.
Obvious
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
SOLIDÃO À DOIS
Com
sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar; com impaciência ao invés
de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e
palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois, termo que ouvi pela
primeira vez na voz de Cazuza, em “Eu queria ter uma bomba”, música do Barão
Vermelho.
São
olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na
mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas
de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na
despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um
pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.
O
relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque
essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras
que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém,
que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.
Parece
contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão,
resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas
vazias, de corações partidos e mentes desencontradas.
Elas
se sentem perdidas da mesma forma. Estão a sós com seus pensamentos, embora
segurem uma mão. Sonham acordadas, mas preferem não falar sobre isso. Passam
horas tentando saber porque aquelas pessoas malucas escrevem poemas e canções.
Ficam
inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão
amando. "Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será", concluem.
Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão
esmagadora, estejam acompanhados ou não.
E
assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não
haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos
feitos de dúvidas e erros. O problema é assistir o seu relacionamento começar e
acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não?
Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar.
Obviuos
quarta-feira, 22 de julho de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
Só Chegamos a Ser uma Parte Mínima do que Poderíamos Ser
A atividade de comprar
conclui em decidir-se por um objeto; mas é também antes uma eleição, e a
eleição começa por perceber as possibilidades que oferece o mercado. De onde
resulta que a vida, no seu modo «comprar», consiste primeiramente em viver as
possibilidades de compra como tais. Quando se fala de nossa vida sói
esquecer-se disto, que me parece essencialíssimo: a nossa vida é em todo o
instante e antes que nada consciência do que nos é possível. Se em cada momento
não tivéssemos à nossa frente mais que uma só possibilidade, careceria de
sentido chamá-la assim. Seria apenas pura necessidade. Mas ai está: esse
estranhíssimo facto da nossa vida possui a condição radical de que sempre
encontra ante si várias saídas, que por serem várias adquirem o carácter de
possibilidades entre as quais havemos de decidir. Tanto vale dizer que vivemos
como dizer que nos encontramos num ambiente de determinadas possibilidades. A
este âmbito costuma chamar-se «as circunstâncias».
Toda a vida é achar-se
dentro da «circunstância» ou mundo. Porque este é o sentido originário da ideia
(mundo). Mundo é o repertório das nossas possibilidades vitais. Não é, pois,
algo à parte e alheio à nossa vida, mas que é a sua autêntica periferia.
Representa o que podemos ser; portanto, a nossa potencialidade vital. Esta tem
de se concretizar para se realizar, ou, dito de outra maneira, chegamos a ser
só uma parte mínima do que poderíamos ser. Daí que nos parece o mundo uma coisa
tão enorme, e nós, dentro dele, uma coisa tão pequena. O mundo ou a nossa vida
possível é sempre mais que o nosso destino ou vida efetiva.
Ortega y Gasset,
'A
Rebelião das Massas'
sexta-feira, 3 de julho de 2015
A ARTE DE SABER DIZER ADEUS.
Às vezes, tudo que
precisamos é saber dizer adeus. A vida se resume basicamente em deixar ir. É impossível
seguir em frente com cargas desnecessárias, com bagagens que não nos pertencem.
Já temos as que nos bastam, então para que o peso morto? É preciso esquecer os
velhos caminhos, os velhos pensamentos, e às vezes, infelizmente, as velhas
pessoas.
Não me entendam mal,
canso de dizer que somos um conjunto das pessoas que tocamos e fomos tocados,
mas ninguém é insubstituível. Absolutamente ninguém. A gente vai vivendo e
aprendendo que algumas pessoas, inevitavelmente, se vão. E não há nada que
possamos fazer para de alguma forma as trazer de volta. E não falo sobre ir
como um eufemismo para morte, falo de ir ao sentido de elas continuarem com
suas vidas, e às vezes, conosco não mais fazendo parte da mesma.
Tentar traze-las de
volta é tão inútil quanto tentar usar uma roupa que não nos serve mais, que
ficou pra trás, junto com o tempo em que pesávamos 5 kg a menos. Não combina,
não serve, falta algo. É tentar encaixar algo em um lugar o qual não pertence,
e esperar um grande resultado. E tudo que acabamos recebendo no fim são
decepções procedentes das expectativas criadas. Existem situações, e situações,
mas uma vez que algo foi embora, que a vida seguiu seu curso, não volte para
trás. É certo que se deve ter a sabedoria necessária para saber diferenciar o não
é a hora com o nunca será a hora. Mas uma vez que algo se perde com tanta
força, acredito não ser passível de retorno.
É tão necessário saber
a hora de soltar a linha, de seguir, de deixar para trás tudo que te prende e
te entristece. Tudo que pesa na sua vida e nas suas costas. Desejo aprender dia
após dia a arte de deixar ir. Pois como eu disse há pouco, algumas coisas não
retornam. E desejo mesmo que não retornem. Quero o novo, o desconhecido. Não
quero algo que me leve aos mesmos caminhos de outrora. Caminhos difíceis,
caminhos incertos. Eu quero o que é novo, mas o que é concreto. Chega de
esperar retornos, chega de esperar confissões que não existem, chega de esperar
que as coisas voltem a ser como foram um dia. Por que daqui a um minuto, nada mais
é como já foi antes. E isso, isso é irremediável.
Será?
Obvious.
terça-feira, 19 de maio de 2015
MULTIDÃO E A SOLIDÃO
É um erro acreditar que
a experiência de se relacionar superficialmente irá gerar experiência para um
relacionamento duradouro. Relacionar-se superficialmente ensina a ser cada dia
melhor nisso, enquanto a experiência de fazer durar só se adquire fazendo
durar.
Somos tão livres como
nunca fomos. Pode-se escolher carreira, viagens, hobbies, pessoas. Acima de
tudo pessoas. Pode-se trocar de carreira, de hobbies e de pessoas, o tempo
todo. Por que o resultado disso não é maravilhoso? Por que os cidadãos da era
tinder são tão solitários? Por que os pregadores do desapego nas redes sociais
parecem tão felizes e divertidos por lá e na realidade estão em desespero,
viciados em remédios? E de onde foi que eles saíram?
Estas pessoas são
solitárias, não por que não socializem, não saiam com os amigos, não se
divirtam. Elas fazem tudo isso e ainda têm um tinder que bomba. Mas não criam
laços. Todas essas coisas e pessoas (excetuando um bom amigo ou outro) são
efêmeras e desaparecem quando se está doente ou sem dinheiro. Puf!
O trabalho do sociólogo
polonês Zygmunt Bauman nos emprestou as palavras para falarmos desse fenômeno
social que estamos vivendo.
As explicações sobre a
atual liquidez de tudo vieram a calhar, para aqueles que têm a coragem de
admitir e que têm interesse no que se passa ao nosso redor. Em trabalhos como:
“modernidade líquida” e “amor líquido” encontram-se temas chave que nos ajudam
a nos situar no caos moderno. Tais como: a perda de espaço e tempo implicados
pelo avanço tecnológico, a fragilidade dos laços humanos, a substituição de
relações presenciais por on-line e etc.
Mas este artigo não é
para falar de Zygmunt e sim para entendermos através do embasamento que seu
trabalho nos oferece, como nos tornamos fabricantes de solidão e legitimadores
da mesma.
Quando falo do que
“vivemos hoje”, não é por empatia com tempos passados, falo do fenômeno social
ocorrido como consequência de avanços tecnológicos e culturais, principalmente
a ideologia moderna da “liberdade”. A ideia de ser livre e de poder fazer o que
quiser, a desconstrução de valores, que agora são extremamente relativos.
Você começa uma família
se quiser e quando quiser, você tem filhos se quiser, você viaja para onde
quiser, você não precisa se relacionar com o sexo oposto, você é livre! Estamos
todos inseridos na cultura do respeito às diferenças. E tudo isso são avanços
inegáveis, mas ainda não estamos no paraíso por quê?
Todos os nossos avanços
vieram acompanhados de evoluções tecnológicas que nos tiraram a noção de espaço
e tempo interligados, como disse Bauman: “O tempo se tornou dinheiro depois de
se ter tornado uma ferramenta (ou arma?) voltada principalmente a vencer a
resistência do espaço: encurtar as distâncias, tornar exequível a superação de
obstáculos e limites à ambição humana.” (BAUMAN, Modernidade Líquida, 2001,
p.130)
Está dada a largada
então, para a conquista de espaço no menor tempo possível e os competidores
são, as um dia crianças, ensinadas que podiam ser o que quisessem. E isso é o
que importa agora, sucesso financeiro, aquisição de espaço, ambição. Laços de
afeto e a espiritualidade são complementos necessários na vida de um cidadão
moderno, saudável e bem-sucedido, mas apenas complementos. E é muito bom que
todos tenham esses complementos, assim como carimbos no passaporte. E o ideal é
que sejam colocados em um futuro seguro e incerto (porque nada é certo), onde
não possam afetar suas prioridades de carreira e dinheiro.
É preciso um espaço só
seu para se concentrar nas prioridades, para focar e competir no dia a dia com
máxima eficiência. Cria-se uma bolha.
E de dentro das bolhas
do individualismo olha-se para fora, para uma imensidão de possibilidades. As
redes sociais disseminam a sensação de que há uma infinidade de pessoas a nossa
volta, todas legais e felizes, tentando parecer mais bonitas e mais felizes que
outros. Todas postando seus momentos de alegria e sucesso. Cria-se um ideal
inalcançável, pois é atualizado o tempo todo nas redes. Então cá no nosso dia a
dia como escolher alguém?
Com uma escolha feita
parece-se estar perdendo tanto! Como amar alguém e perder as experiências
maravilhosas com as pessoas maravilhosas que lotam o facebook e o instagram?
Além disso, as pessoas
presenciais são humanas e falhas, dão trabalho e nunca correspondem ao ideal
disseminado pelas redes. E aí é que são descartadas e trocadas por outras.
Sempre na compulsão de tentar de novo, de achar a pessoa certa, que “cabe no
sonho”, como disse Cazuza. É muito fácil dizer que não deu certo e se
desprender de responsabilidades na tentativa, dizer: “é a vida”.
E volta-se para casa só
e começa-se tudo de novo amanhã.
Fazemos-nos todos
descartáveis e reclamamos quando somos descartados, reclamamos da solidão
dentro da bolha. Coloca-se a culpa num mundo louco e insensível, quando nós
somos o mundo. E a coisa real que todos compartilhamos no fim das contas é a
solidão. Ninguém está realmente lá, todos estão indo e vindo. Bauman explica o
fenômeno dos laços frouxos e repetitivos que fazemos:
O cidadão de nossa
líquida sociedade moderna — e seus atuais sucessores são obrigados a amarrar um
ao outro, por iniciativa, habilidades e dedicação próprias, os laços que
porventura pretendam usar com o restante da humanidade. Desligados, precisam
conectar-se... Nenhuma das conexões que venham a preencher a lacuna deixada
pelos vínculos ausentes ou obsoletos tem, contudo, a garantia da permanência.
De qualquer modo, eles só precisam ser frouxamente atados, para que possam ser
outra vez desfeitos, sem grandes delongas, quando os cenários mudarem — o que,
na modernidade líquida, decerto ocorrerá repetidas vezes. (BAUMAN, Amor
Líquido, 2004, p.6)
As consequências da
liberdade são assustadoras. Ela é um fenômeno que a maioria ambiciona entender,
uma fonte de prazeres e dores de que ninguém abre mão. Talvez todos pensem
entender a liberdade, pois têm um conceito individual da mesma, mas ela está
acima das ideias.
A liberdade é acima de
tudo ambígua. Zygmunt diz que nenhuma sociedade conseguiu ainda o equilíbrio
entre segurança e liberdade, se estamos seguros somos escravos e se estamos
livres, não temos segurança. Estamos mais para o segundo caso, somos livres,
mas temos tudo líquido a nossa volta, nada seguro.
E quem vai ter a
coragem de construir um relacionamento seguro abrindo mão da sua liberdade
pessoal? Esta pseudo-liberdade de fazer tantas coisas que não darão frutos e
que oferece momentos de inserção na ideia atual de felicidade.
E ainda, quem serão os
mais que corajosos a investir em algo sólido, com laços afetivos, confiança,
lealdade e durabilidade, com dores e prazeres a longo prazo, quando o resto do
mundo irá considerá-los fora de moda e sem ambição?
Talvez, por isso, é que
nem mesmo pessoas totalmente conscientes dessa realidade conseguem criar laços
duradouros, afinal, é suicídio social ser fora de moda e sem ambição.
E como diz Bauman: “Sem
humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas
enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não mapeada. E
é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres
humanos.” (BAUMAN, Amor líquido, 2004, p.12).
Como já foi dito, os
planos de formar família ou mesmo um relacionamento duradouro são colocados num
futuro incerto e distante, “vou querer quietar um dia”, ouve-se muito isso. As
pessoas acreditam estar aprendendo com suas experiências de amores líquidos,
ficadas e rolos, para um dia aplicar a um relacionamento que já vem sendo
idealizado, mais inalcançável depois de cada experiência, obtida com pessoas
defeituosas, de forma que se exige mais e mais daquela que seria a certa.
É um erro acreditar que
a experiência de se relacionar superficialmente irá gerar experiência para um
relacionamento duradouro. Relacionar-se superficialmente ensina a ser cada dia
melhor nisso, enquanto a experiência de fazer durar só se adquire fazendo
durar. Sobre isso Bauman diz:
Essa é, contudo, outra
ilusão... O conhecimento que se amplia juntamente com a série de eventos
amorosos é o conhecimento do “amor” como episódios intensos, curtos e
impactantes, desencadeados pela consciência a priori de sua própria fragilidade
e curta duração. As habilidades assim adquiridas são as de “terminar
rapidamente e começar do início” [...] Guiado pela compulsão de tentar
novamente, e obcecado em evitar que cada sucessiva tentativa do presente pudesse
atrapalhar outra no futuro... (BAUMAN, Amor Líquido, 2004, p.11)
Toda essa cultura e
essa vivência de correr atrás do vento fabricam solidão e não daquele tipo que
se precisa de vez em quando, mas de um tipo disfarçado e disseminado, que está
nas nossas músicas e filmes, está nas redes e na moda, está no estilo de vida e
tem corroído por dentro a fé da humanidade na humanidade.
Quem não viu o primeiro
episódio do famoso seriado Americano, Sex And The City, baseado no livro de
Candace Bushnell? A narração de Carrie Bradshaw que abre o seriado:
Bem-vinda à época da não
inocência [...] Autopreservação e fazer bons negócios são mais importantes. O
cupido voou do pedaço. Como diabos vieram parar nessa bagunça? Há milhares de
mulheres nessa situação, todos as conhecemos e concordamos que são ótimas. Elas
viajam, pagam impostos, pagam 400US$ em um par de sandálias Manolo Blahnik e
são solitárias.
Quem não viu o filme
Her, e acompanhou a maneira fácil e a gradual com que o personagem Theodore se
apaixona por um programa de inteligência artificial, chamado Samantha, criado
para ajudar usuários a se organizarem em suas vidas online? A ex-esposa de
Theodore diz a ele:
É o que você sempre
quis. Ter uma esposa sem o desafio de ter que lidar com algo real.
Se quisermos alterar
essa realidade, será preciso parar a corrida em diversos momentos e olhar para
o outro, desobrigando-o de ser fantástico, pois ele não é um filme ou seriado,
é um ser humano. E o outro ser humano é o único que pode corresponder com a
companhia que nós, por natureza, necessitamos.
Desculpe, também não é
seu cachorro!
Obvious
quinta-feira, 23 de abril de 2015
O MAL DA ROTINA.
De que vale a vida,
penso eu, se não arriscarmos, nos entregarmos ao novo? Ter o coração partido e
se fechar para um novo amor, permanecer num emprego que te causa infelicidade,
mas que garante estabilidade, dormir cedo sempre, nunca se atrasar, ir ao mesmo
cinema, frequentar as mesmas praias, estranhar novas amizades: que perda de
tempo. Toda revolução sofre um pouco de resistência no inicio - mesmo que a
revolução seja mudar de cafeteria ou de marca de sabão em pó - mas pequenas
ações podem resultar em mudanças positivas na nossa vida.
Seu Jorge já
cantarolava, abençoado por uma melodia de Chico Buarque: "Todo dia ela faz
tudo sempre igual/ me sacode às seis horas da manhã/ me sorri um sorriso
pontual/ e me beija com a boca de hortelã". Ambos os amantes não pareciam
incomodados com a rotina que o casal compartilhava, e a composição não deixa
transparecer qualquer desconforto com o cotidiano previsível. Mas e se ela o
acordasse um pouco antes para cobrir-lhe de beijos com gosto de... Maçã? Se não
sorrisse ao acordá-lo, mas o pegasse desprevenido com cócegas que o fizesse
perder o ar de tanto rir? E se ele faltasse no trabalho, um dia que seja, para
brindar a vida na companhia da amada?
Gostar de rotina não é
algo ruim. Precisamos dela para nortear nossas vidas, dar linearidade ao nosso cotidiano,
nos tirando do caos e auxiliando-nos a dar foco às metas. A rotina é a nossa
cura da ressaca, nosso mais do mesmo que precisa existir, nossa obediência às
regras, nossa submissão ao tempo, nossa dose de normalidade diária.
Sair da rotina, do óbvio,
é um tanto doloroso para algumas pessoas. Arriscar-se numa atividade nova,
atrasar-se mais que cinco minutos, um feriado no meio da semana (acredite: há
quem não goste nem um pouco de feriado que tire da mesmice de uma semana de
trabalho) nem sempre é fácil de encarar. Ainda mais pra quem trabalha com o
método da agenda: acordar às seis, ler as notícias acompanhado de uma xícara de
café - nem muito quente, nem frio, nem morno: acertar o ponto todas as vezes é
crucial e rotineiro, por assim dizer - tomar um banho rápido, vestir-se e
chegar no trabalho às oito. Nem sete e cinquenta e dois, nem sete e cinquenta e
nove, muito menos oito e um. Oito. Trabalhar incessantemente, voltar pra casa
(pelo mesmo caminho de sempre), assistir qualquer porcaria na televisão,
dormir. Fim de semana é almoçar na mãe, ir ao cinema, voltar antes que escureça
dormir.
Pessoas assim não se
permitem experimentar algo novo e ousado, por mais simples que seja. Por mais
que a mídia tenha explorado e criticado positivamente aquela peça que está em
cartaz todas as quartas, não é digno se dar ao luxo de fazer um programa
cultural em plena quarta-feira. Amanhã é quinta, dia de labutar. Às oito em
ponto. Por mais que delivery de pizza seja prático, rápido e barato, não custa
nada explorar os demais restaurantes da cidade, levar a garota ou o garoto para
degustar sushi, comida chinesa, tailandesa, ou churrasco gaúcho, que seja. Algo
que não venha engordurado dentro de uma caixa de papelão
.
Há quem não goste de
acampar na praia mas que nunca sequer dormiu dentro de uma barraca e protege-se
dos pés à cabeça do sol, da areia e da água salgada que resseca e quebra o
cabelo. Tem gente que detesta balada, porque sempre frequentou a mesma casa
noturna, que conta sempre com a presença dos mesmos Dj's, sempre com as mesmas pessoas. Há quem não
goste de beber, mas que nunca bebeu, que não goste de redes sociais e que
sempre conservou a velha conta de e-mail no Bol., que não goste de chuva mas
que nunca sentiu a deliciosa sensação da água refrescando o corpo num dia de
calor infernal, que não gosta de música brasileira mas que nunca se arriscou a
ouvir os mestres da MPB - e que, inclusive, critica ferozmente o nosso funk mas
que dança de forma frenética ao som do pop e do Hip Hop americano que faz
apologia às drogas e ao sexo, com letras tão "proibido nas" quanto as
do ritmo carioca.
De que vale a vida,
penso eu, se não arriscarmos, nos entregarmos ao novo? Ter o coração partido e
se fechar para um novo amor, permanecer num emprego que te causa infelicidade
mas que garante estabilidade, dormir cedo sempre, nunca se atrasar, ir ao mesmo
cinema, frequentar as mesmas praias, estranhar novas amizades: que perda de
tempo.
Durante muito tempo fui
um pouco assim, e confesso que ainda sou paranoica com horários e rotina, mas
estou tentando mudar. Reconhecer que a minha bolha é limitada e que a zona de
conforto não nos oferece nada mais que conforto é o primeiro passo. Toda
revolução sofre um pouco de resistência no inicio - mesmo que a revolução seja
mudar de cafeteria ou de marca de sabão em pó - mas pequenas ações podem
resultar em mudanças positivas na nossa vida.
Se o café está bem
quente, eu acho bom. Se estiver morno, me incomodo um pouco, mas engulo feliz. Se
tiver suco, agradeço: mais um dia sem cafeína. Viver metodicamente é não viver,
ou viver pela metade. Você por acaso sabe se existe vida após essa aqui? Melhor
não desperdiçar. Hortelã pode ser bom, mas há uma infinidade de sabores por aí.
Obvious
quinta-feira, 16 de abril de 2015
O QUE É O TEMPO?
A reflexão filosófica
de Agostinho sobre o tempo é uma de suas mais brilhantes análises filosóficas,
a qual o torna, embora sendo um pensador medieval, muito mais contemporâneo do
que muitos outros da atualidade. O modo como Agostinho expõe suas interrogações
com relação ao tempo marca a reflexão ocidental até os dias de hoje.
Questiona Agostinho:
“Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá
apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o
seu conceito? E que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do
que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos
também o que nos dizem quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o
tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a
pergunta, já não sei.”²
Agostinho defronta-se
com algumas dificuldades principais ao falar sobre o tempo: não podemos
apreendê-lo, pois o tempo nos escapa, não conseguimos medi-lo. E também não
podemos percebê-lo.
domingo, 5 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Não importa o que fizeram com você. “O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”
Uma verdadeira lição de vida. Todos nós
passamos por arranhões e quedas na vida. Nesse filme chamado existência humana,
torna-se praticamente impossível sairmos ilesos por mais que sejamos protegidos
na infância, adolescência e vida adulta. Seria o mundo um lugar cruel? Não
necessariamente. Depende da formação, da personalidade e da estrutura familiar
de cada um de nós. Esses são os pilares básicos para construirmos pouco a pouco
a consciência necessária para nos adaptarmos as circunstancias da vida. Ora,
não desejamos certos acontecimentos para nós, no entanto eles acontecem. Uma
criança órfã certamente não desejaria ser órfã, mas vítima das circunstancias,
do destino, da sociedade ou da família ela é. E como lidar com isso? Como lidar
com essa série de acontecimentos que nos atinge a todos, cada um de uma forma e
não depende de nós escaparmos dela ou não? Outro caso seria uma pessoa
acometida com uma doença grave, cujas causas ela não procurou. Somado a esses
pensamentos dir-se-ia que somos todos vitimas? Claro que não. Mas somos
obrigados a concordar que há situações chave em nossas vidas que são como
acontecimentos fatais; Não depende de nós alterarmos a rota daquele
acontecimento. Mais uma vez surge a pergunta: E o que fazer mediante a isso?
Cada um digere de uma forma. Uns utilizam-se da desgraça para tornarem-se
pessoas ainda melhores e servirem de exemplo ao mundo de como é possível ser
feliz mesmo com restrições físicas, financeiras ou emocionais. Outros se
utilizam das mesmas dificuldades para revoltar-se contra o destino, contra as
pessoas, contra Deus. A ideia dessa reflexão não é expor como cada um deve agir
perante as dificuldades da vida, mas sim uma nuance de como as pessoas reagem
diferentemente diante de circunstâncias parecidas. O que fazemos com aquilo que
fazem conosco?
Já paramos para pensar
como nos sobressaímos em situações de mágoa, traição, inveja, ciúme,
desrespeito? Claro que esses tipos de situações podemos nos esquivar, peneirando
as nossas relações. Mas é impossível fugir de tudo. Já na infância em contato
com outros coleguinhas na escola percebemos o quanto as pessoas podem ser
cruéis umas com as outras, seja na prática do bullying, da intolerância, do
preconceito racial ou social. Como se sobressair, para além de um divã de um
psicólogo, ou consultas psiquiátricas toda a intempérie de contrariedades que
sofremos todos os dias? O que fazemos com aquilo que fizeram conosco?
segunda-feira, 30 de março de 2015
VIVEMOS TEMPOS LÍQUIDOS. NADA É PARA DURAR
Estamos cada vez mais
aparelhados com iPhones, tablets, notebooks, etc. Tudo para disfarçar o antigo
medo da solidão. O contato via rede social tomou o lugar de boa parte das pessoas, cuja marca
principal é a ausência de comprometimento. Este texto tem como base a ideia do
"ser líquida”, característica presente nas relações humanas atuais.
Inspirado na obra "Amor Líquido" - sobre a fragilidade dos laços
humanos, de Zigmunt Bauman. As relações se misturam e se condensam com laços
momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e
veloz. Seja real ou virtual.
O sociólogo polonês
Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados da atualidade. Aos 87
anos, seus livros venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um
teórico. Entre eles, “Amor liquido” é talvez o livro mais popular de Bauman no
Brasil. É neste livro que o autor expõe sua análise de maneira mais simples e
próxima do cotidiano, analisando as relações amorosas e algumas
particularidades da “modernidade líquida”. Vivemos tempos líquidos, nada é
feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos
por entre os dedos feito água.
Bauman tenta mostrar
nossa dificuldade de comunicação afetiva, já que todos querem relacionar-se.
Entretanto, não conseguem, seja por medo ou insegurança. O autor ainda cita
como exemplo um vaso de cristal, o qual à primeira queda quebra. As relações
terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema
cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de
problemas.
É um mundo de
incertezas, cada um por si. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações
humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual e com a
facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um
relacionamento de longo prazo. É um amor criado pela sociedade atual
(modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos
sérios e duradouros. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou
seja, caso haja defeito descarta-se - ou até mesmo troca-se por "versões
mais atualizadas".
O romantismo do amor
parece estar fora de moda, o amor verdadeiro foi banalizado, diminuído a vários
tipos de experiências vividas pelas pessoas as quais se referem a estas
utilizando a palavra amor. Noites descompromissadas de sexo são chamadas “fazer
amor”. Não existem mais responsabilidades de se amar, a palavra amor é usada
mesmo quando as pessoas não sabem direito o seu real significado.
Ainda para tentar
explicar a relações amorosas em “Amor Líquido”, Bauman fala sobre “Afinidade e
Parentesco.” O parentesco seria o laço irredutível e inquebrável. É aquilo que
não nos dá escolha. A afinidade é ao contrário do parentesco. Voluntária, esta
é escolhida. Porém, e isso é importante, o objetivo da afinidade é ser como o parentesco.
Entretanto, vivendo numa sociedade de total “descartabilidade”, até as
afinidades estão se tornando raras.
Bauman fala também
sobre o amor próprio: o filósofo afirma que as pessoas precisam sentir que são
amadas, ouvidas e amparadas. Ou precisam saber que fazem faltas. Segundo ele,
ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar. O que fazemos é
aceitar essa classificação. Mas, com tantas incertezas, relações sem forma -
líquidas - nas quais o amor nos é negadas, como terão amor próprio? Os amores e
as relações humanas de hoje são todos instáveis, e assim não temos certeza do
que esperar. Relacionar-se é caminhar na neblina sem a certeza de nada - uma
descrição poética da situação.
"Para ser feliz há
dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis [...] um é
segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida
digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade
sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. [...] Cada vez que
você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que
você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha
algo e você perde algo", afirma o filósofo.
ZYGMUNT BAUMAN
quinta-feira, 26 de março de 2015
NOVAMENTE POSTANDO O MITO POIS ALUNOS DO 1°D e 1°E ,precisam argumentar. Obs. clica em comentários para responder
O que é a
caverna?
Que são as sombras das estatuetas?
Quem é o prisioneiro que se liberta e sai
da caverna?
O
que é a luz exterior do sol?
O que é o mundo exterior?
Qual o instrumento que liberta o filósofo e
com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros?
O que é a visão do mundo real iluminado?
Por que é que os prisioneiros ridicularizam,
espancam e matam o filósofo?
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