Print Friendly Version of this pagePrint Get a PDF version of this webpagePDF

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Condição Humana, de Hannah Arendt

A Condição Humana, de Hannah Arendt


           
Se o homem soubesse que o mundo acabaria quando ele morresse, ou logo depois, esse mundo perderia toda a sua realidade, como a perdeu para os antigos cristãos, na medida em que estes estavam convencidos de que as suas expectativas escatológicas seriam imediatamente realizadas. A confiança na realidade da vida, pelo contrário, depende quase exclusivamente da intensidade com que a vida é experimentada, do impacte com que ela se faz sentir.

Esta intensidade é tão grande e a sua força é tão elementar que, onde quer que prevaleça, na alegria ou na dor, oblitera qualquer outra realidade mundana. Já se observou muitas vezes que aquilo que a vida dos ricos perde em vitalidade, em intimidade com as «boas coisas» da natureza, ganha em refinamento, em sensibilidade às coisas belas do mundo. O fato é que a capacidade humana de vida no mundo implica sempre uma capacidade de transcender e alienar-se dos processos da própria vida, enquanto a vitalidade e a vigor só podem ser conservadas na medida em que os homens se disponham a arcar com o ônus, as fadigas e as penas da vida.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por sua participação