Print Friendly Version of this pagePrint Get a PDF version of this webpagePDF

quarta-feira, 10 de abril de 2013

AS COISAS QUE TEMOS REALMENTE SÃO NOSSAS?

As coisas que temos realmente são nossas? Há muitas respostas para uma questão como esta. Apresentamos uma delas, uma carta de Sêneca a Lucílio. Tudo aquilo de que é considerado dono está à tua mão, mas sem ser verdadeiramente teu; um ser instável nada possui de estável, um ser efêmero nada possui de eterno e indestrutível. Perder é tão inevitável como morrer; se bem a entendermos, esta verdade é uma consolação para nós. Perde, pois, imperturbavelmente: tudo um dia morrerá. Que socorro podemos conseguir contra todas as nossas perdas? Apenas isto: guardemos na memória as coisas que perdemos sem deixar que o proveito que delas tiramos desapareça também com elas. Podemos ser privados de possuí-las, nunca de tê-las possuído. É extremamente ingrato quem pensa que já nada deve porque perdeu o empréstimo! O acaso privou-nos do objeto, mas deixou em nós o uso e proveito que dele tiramos, e que nós deixamos esquecer pelo perverso desejo de continuar a possuí-lo! Sêneca a Lucílio.