quinta-feira, 23 de abril de 2015
O MAL DA ROTINA.
De que vale a vida,
penso eu, se não arriscarmos, nos entregarmos ao novo? Ter o coração partido e
se fechar para um novo amor, permanecer num emprego que te causa infelicidade,
mas que garante estabilidade, dormir cedo sempre, nunca se atrasar, ir ao mesmo
cinema, frequentar as mesmas praias, estranhar novas amizades: que perda de
tempo. Toda revolução sofre um pouco de resistência no inicio - mesmo que a
revolução seja mudar de cafeteria ou de marca de sabão em pó - mas pequenas
ações podem resultar em mudanças positivas na nossa vida.
Seu Jorge já
cantarolava, abençoado por uma melodia de Chico Buarque: "Todo dia ela faz
tudo sempre igual/ me sacode às seis horas da manhã/ me sorri um sorriso
pontual/ e me beija com a boca de hortelã". Ambos os amantes não pareciam
incomodados com a rotina que o casal compartilhava, e a composição não deixa
transparecer qualquer desconforto com o cotidiano previsível. Mas e se ela o
acordasse um pouco antes para cobrir-lhe de beijos com gosto de... Maçã? Se não
sorrisse ao acordá-lo, mas o pegasse desprevenido com cócegas que o fizesse
perder o ar de tanto rir? E se ele faltasse no trabalho, um dia que seja, para
brindar a vida na companhia da amada?
Gostar de rotina não é
algo ruim. Precisamos dela para nortear nossas vidas, dar linearidade ao nosso cotidiano,
nos tirando do caos e auxiliando-nos a dar foco às metas. A rotina é a nossa
cura da ressaca, nosso mais do mesmo que precisa existir, nossa obediência às
regras, nossa submissão ao tempo, nossa dose de normalidade diária.
Sair da rotina, do óbvio,
é um tanto doloroso para algumas pessoas. Arriscar-se numa atividade nova,
atrasar-se mais que cinco minutos, um feriado no meio da semana (acredite: há
quem não goste nem um pouco de feriado que tire da mesmice de uma semana de
trabalho) nem sempre é fácil de encarar. Ainda mais pra quem trabalha com o
método da agenda: acordar às seis, ler as notícias acompanhado de uma xícara de
café - nem muito quente, nem frio, nem morno: acertar o ponto todas as vezes é
crucial e rotineiro, por assim dizer - tomar um banho rápido, vestir-se e
chegar no trabalho às oito. Nem sete e cinquenta e dois, nem sete e cinquenta e
nove, muito menos oito e um. Oito. Trabalhar incessantemente, voltar pra casa
(pelo mesmo caminho de sempre), assistir qualquer porcaria na televisão,
dormir. Fim de semana é almoçar na mãe, ir ao cinema, voltar antes que escureça
dormir.
Pessoas assim não se
permitem experimentar algo novo e ousado, por mais simples que seja. Por mais
que a mídia tenha explorado e criticado positivamente aquela peça que está em
cartaz todas as quartas, não é digno se dar ao luxo de fazer um programa
cultural em plena quarta-feira. Amanhã é quinta, dia de labutar. Às oito em
ponto. Por mais que delivery de pizza seja prático, rápido e barato, não custa
nada explorar os demais restaurantes da cidade, levar a garota ou o garoto para
degustar sushi, comida chinesa, tailandesa, ou churrasco gaúcho, que seja. Algo
que não venha engordurado dentro de uma caixa de papelão
.
Há quem não goste de
acampar na praia mas que nunca sequer dormiu dentro de uma barraca e protege-se
dos pés à cabeça do sol, da areia e da água salgada que resseca e quebra o
cabelo. Tem gente que detesta balada, porque sempre frequentou a mesma casa
noturna, que conta sempre com a presença dos mesmos Dj's, sempre com as mesmas pessoas. Há quem não
goste de beber, mas que nunca bebeu, que não goste de redes sociais e que
sempre conservou a velha conta de e-mail no Bol., que não goste de chuva mas
que nunca sentiu a deliciosa sensação da água refrescando o corpo num dia de
calor infernal, que não gosta de música brasileira mas que nunca se arriscou a
ouvir os mestres da MPB - e que, inclusive, critica ferozmente o nosso funk mas
que dança de forma frenética ao som do pop e do Hip Hop americano que faz
apologia às drogas e ao sexo, com letras tão "proibido nas" quanto as
do ritmo carioca.
De que vale a vida,
penso eu, se não arriscarmos, nos entregarmos ao novo? Ter o coração partido e
se fechar para um novo amor, permanecer num emprego que te causa infelicidade
mas que garante estabilidade, dormir cedo sempre, nunca se atrasar, ir ao mesmo
cinema, frequentar as mesmas praias, estranhar novas amizades: que perda de
tempo.
Durante muito tempo fui
um pouco assim, e confesso que ainda sou paranoica com horários e rotina, mas
estou tentando mudar. Reconhecer que a minha bolha é limitada e que a zona de
conforto não nos oferece nada mais que conforto é o primeiro passo. Toda
revolução sofre um pouco de resistência no inicio - mesmo que a revolução seja
mudar de cafeteria ou de marca de sabão em pó - mas pequenas ações podem
resultar em mudanças positivas na nossa vida.
Se o café está bem
quente, eu acho bom. Se estiver morno, me incomodo um pouco, mas engulo feliz. Se
tiver suco, agradeço: mais um dia sem cafeína. Viver metodicamente é não viver,
ou viver pela metade. Você por acaso sabe se existe vida após essa aqui? Melhor
não desperdiçar. Hortelã pode ser bom, mas há uma infinidade de sabores por aí.
Obvious
quinta-feira, 16 de abril de 2015
O QUE É O TEMPO?
A reflexão filosófica
de Agostinho sobre o tempo é uma de suas mais brilhantes análises filosóficas,
a qual o torna, embora sendo um pensador medieval, muito mais contemporâneo do
que muitos outros da atualidade. O modo como Agostinho expõe suas interrogações
com relação ao tempo marca a reflexão ocidental até os dias de hoje.
Questiona Agostinho:
“Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá
apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o
seu conceito? E que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do
que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos
também o que nos dizem quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o
tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a
pergunta, já não sei.”²
Agostinho defronta-se
com algumas dificuldades principais ao falar sobre o tempo: não podemos
apreendê-lo, pois o tempo nos escapa, não conseguimos medi-lo. E também não
podemos percebê-lo.
domingo, 5 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Não importa o que fizeram com você. “O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”
Uma verdadeira lição de vida. Todos nós
passamos por arranhões e quedas na vida. Nesse filme chamado existência humana,
torna-se praticamente impossível sairmos ilesos por mais que sejamos protegidos
na infância, adolescência e vida adulta. Seria o mundo um lugar cruel? Não
necessariamente. Depende da formação, da personalidade e da estrutura familiar
de cada um de nós. Esses são os pilares básicos para construirmos pouco a pouco
a consciência necessária para nos adaptarmos as circunstancias da vida. Ora,
não desejamos certos acontecimentos para nós, no entanto eles acontecem. Uma
criança órfã certamente não desejaria ser órfã, mas vítima das circunstancias,
do destino, da sociedade ou da família ela é. E como lidar com isso? Como lidar
com essa série de acontecimentos que nos atinge a todos, cada um de uma forma e
não depende de nós escaparmos dela ou não? Outro caso seria uma pessoa
acometida com uma doença grave, cujas causas ela não procurou. Somado a esses
pensamentos dir-se-ia que somos todos vitimas? Claro que não. Mas somos
obrigados a concordar que há situações chave em nossas vidas que são como
acontecimentos fatais; Não depende de nós alterarmos a rota daquele
acontecimento. Mais uma vez surge a pergunta: E o que fazer mediante a isso?
Cada um digere de uma forma. Uns utilizam-se da desgraça para tornarem-se
pessoas ainda melhores e servirem de exemplo ao mundo de como é possível ser
feliz mesmo com restrições físicas, financeiras ou emocionais. Outros se
utilizam das mesmas dificuldades para revoltar-se contra o destino, contra as
pessoas, contra Deus. A ideia dessa reflexão não é expor como cada um deve agir
perante as dificuldades da vida, mas sim uma nuance de como as pessoas reagem
diferentemente diante de circunstâncias parecidas. O que fazemos com aquilo que
fazem conosco?
Já paramos para pensar
como nos sobressaímos em situações de mágoa, traição, inveja, ciúme,
desrespeito? Claro que esses tipos de situações podemos nos esquivar, peneirando
as nossas relações. Mas é impossível fugir de tudo. Já na infância em contato
com outros coleguinhas na escola percebemos o quanto as pessoas podem ser
cruéis umas com as outras, seja na prática do bullying, da intolerância, do
preconceito racial ou social. Como se sobressair, para além de um divã de um
psicólogo, ou consultas psiquiátricas toda a intempérie de contrariedades que
sofremos todos os dias? O que fazemos com aquilo que fizeram conosco?
segunda-feira, 30 de março de 2015
VIVEMOS TEMPOS LÍQUIDOS. NADA É PARA DURAR
Estamos cada vez mais
aparelhados com iPhones, tablets, notebooks, etc. Tudo para disfarçar o antigo
medo da solidão. O contato via rede social tomou o lugar de boa parte das pessoas, cuja marca
principal é a ausência de comprometimento. Este texto tem como base a ideia do
"ser líquida”, característica presente nas relações humanas atuais.
Inspirado na obra "Amor Líquido" - sobre a fragilidade dos laços
humanos, de Zigmunt Bauman. As relações se misturam e se condensam com laços
momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e
veloz. Seja real ou virtual.
O sociólogo polonês
Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados da atualidade. Aos 87
anos, seus livros venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um
teórico. Entre eles, “Amor liquido” é talvez o livro mais popular de Bauman no
Brasil. É neste livro que o autor expõe sua análise de maneira mais simples e
próxima do cotidiano, analisando as relações amorosas e algumas
particularidades da “modernidade líquida”. Vivemos tempos líquidos, nada é
feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos
por entre os dedos feito água.
Bauman tenta mostrar
nossa dificuldade de comunicação afetiva, já que todos querem relacionar-se.
Entretanto, não conseguem, seja por medo ou insegurança. O autor ainda cita
como exemplo um vaso de cristal, o qual à primeira queda quebra. As relações
terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema
cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de
problemas.
É um mundo de
incertezas, cada um por si. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações
humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual e com a
facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um
relacionamento de longo prazo. É um amor criado pela sociedade atual
(modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos
sérios e duradouros. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou
seja, caso haja defeito descarta-se - ou até mesmo troca-se por "versões
mais atualizadas".
O romantismo do amor
parece estar fora de moda, o amor verdadeiro foi banalizado, diminuído a vários
tipos de experiências vividas pelas pessoas as quais se referem a estas
utilizando a palavra amor. Noites descompromissadas de sexo são chamadas “fazer
amor”. Não existem mais responsabilidades de se amar, a palavra amor é usada
mesmo quando as pessoas não sabem direito o seu real significado.
Ainda para tentar
explicar a relações amorosas em “Amor Líquido”, Bauman fala sobre “Afinidade e
Parentesco.” O parentesco seria o laço irredutível e inquebrável. É aquilo que
não nos dá escolha. A afinidade é ao contrário do parentesco. Voluntária, esta
é escolhida. Porém, e isso é importante, o objetivo da afinidade é ser como o parentesco.
Entretanto, vivendo numa sociedade de total “descartabilidade”, até as
afinidades estão se tornando raras.
Bauman fala também
sobre o amor próprio: o filósofo afirma que as pessoas precisam sentir que são
amadas, ouvidas e amparadas. Ou precisam saber que fazem faltas. Segundo ele,
ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar. O que fazemos é
aceitar essa classificação. Mas, com tantas incertezas, relações sem forma -
líquidas - nas quais o amor nos é negadas, como terão amor próprio? Os amores e
as relações humanas de hoje são todos instáveis, e assim não temos certeza do
que esperar. Relacionar-se é caminhar na neblina sem a certeza de nada - uma
descrição poética da situação.
"Para ser feliz há
dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis [...] um é
segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida
digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade
sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. [...] Cada vez que
você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que
você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha
algo e você perde algo", afirma o filósofo.
ZYGMUNT BAUMAN
quinta-feira, 26 de março de 2015
NOVAMENTE POSTANDO O MITO POIS ALUNOS DO 1°D e 1°E ,precisam argumentar. Obs. clica em comentários para responder
O que é a
caverna?
Que são as sombras das estatuetas?
Quem é o prisioneiro que se liberta e sai
da caverna?
O
que é a luz exterior do sol?
O que é o mundo exterior?
Qual o instrumento que liberta o filósofo e
com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros?
O que é a visão do mundo real iluminado?
Por que é que os prisioneiros ridicularizam,
espancam e matam o filósofo?
quinta-feira, 19 de março de 2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
domingo, 1 de março de 2015
COBRANÇA!
Cobranças
sempre houve. Mas e agora que a sociedade tem face book e mostra o quanto ela é
bem-sucedida, linda, rica e magra, e você não? O que fazer quando o mundo todo
parece perfeito?
Gente, a
vida não espera. Você precisa correr atrás dos teus sonhos e batalhar pelo que
deseja, o quanto antes, e cada vez mais.
E esse
mundão de meu Deus está aí para te incentivar, mostrando o que cada um
conseguiu: aquela gordinha do teu face
book que deu uma bela emagrecida e que agora tem tudo para ter aquela barriga
negativa que tanto almeja, o esforçado da academia que por meio de provações
imensas transforma preguiça em músculos; aquele dedicado colega da escola que,
após tanto estudo e especializações, logo mais chega a chefão de uma
multinacional. Sem esquecer, claro, a tua amiga, correndo com os últimos
preparativos do tão sonhado casamento.
E você, onde
está? Enquadrou-se em alguma dessas vidas? Ou melhor, em quase todas? Pois
deveria. Afinal, por meio das redes sociais o mundo te dá exemplos diários do
que você deve fazer para ser bem-sucedido basta trabalhar duro para isso, e, se
eles chegaram lá, você também pode!
Ou não. E,
aliás, talvez nem queira. E tudo bem com isso – ou ao menos deveria ser. Será
que em algum momento você parou para pensar que tudo isso aí a seu alcance até
pode ser o modelo dos sonhos para muita gente, mas não necessariamente para
todos? O ideal de beleza é um ideal pra quem? E desde quando?
Você nunca
se pegou olhando para aquelas deusas renascentistas e pensou “Puxa, um
regiminho ia bem”? E o que falam tanto da Marylin Monroe, com aquelas coxas
grossas? Scarlett Johansson ganha fácil! Isso supondo que a sociedade dos anos
1950 não a consideraria um magrelo sem graça, claro. E também se pensarmos na
Johansson agraciada com todos os requintes que um bom Photoshop é capaz de
fazer, óbvio (longe de mim criticar o corpaço de Scarlett, mas é que, como você
já deve saber, ela tem imperfeições como qualquer ser humano, que são
magistralmente retocadas pela tecnologia).
Para mim
esse é um dos melhores exemplos de como é efêmera a definição do que é ou deixa
de ser belo. E não é frustrante – ou ao menos contraditório – passarmos nossas
vidas inteiras tentando alcançar um objetivo que nem seria de fato o nosso,
caso a sociedade não nos empurrasse goela abaixo que é isso que devemos querer
ser? Aí você me diz que esse é mesmo o estilo de vida que você quer seguir, e
que não é uma escolha social, mas sim somente e apenas – ou principalmente –
tua. Sabe o que eu te respondo? Tudo bem, e seja feliz! Sério. Minha conversa
aqui não é pra discutir, e de verdade respeito teu estilo de vida. Minha
preocupação, na realidade, está voltada para outra coisa: as auto cobranças
tendo como ponto de partida uma falsa realidade, vista por meio de telas de
computadores e revistas de moda, moldada para te fazer crer que todos são
especiais neste mundo (menos você). Acho que já passou da hora de se
questionar: Mas será que é assim mesmo?
O que estou
querendo dizer é que, talvez, aquele teu conhecido que você não sabe nem ao
certo como foi te adicionar no facebook esteja passando pelos mesmos
questionamentos que você, e tudo bem por isso. Já imaginou que esse teu
trabalho insuportável pudesse ser o emprego dos sonhos de teu colega
facebookiano? E todos que invejam as fotos de você e teu amor, só porque não
fazem ideia do quanto vocês discutem e
de como esse relacionamento já está desgastado? Ou então, e se muitas das
curtidas que você recebeu naquela tua foto descolada altamente intimista
acompanhada da libertária legenda “Enfim solteiro”, em vez de um simples apoio
virtual, fosse um tributo à tua coragem de deixar as expectativas de casar e
ser feliz pra sempre de lado para ir a
busca do que realmente importa?
“O que seria do
verde, se todos só gostássemos do vermelho?” Já dizia a sabedoria popular,
ninguém é obrigado a ser igual. Hoje, as cobranças são as mesmas para todo
mundo e, ao que parecem, todas as pessoas estão seguindo a moda de se
diferenciar de todo mundo – e com isso acabam sendo todos iguais, seguindo os
mesmos estilos e tentando se mostrar digno do que a sociedade espera. Mas e se,
sei lá, todo mundo decidisse se aparecer menos pra sociedade e mais pra si
mesmo? Como será que seria?
Obviuos
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
A INTELIGÊNCIA
domingo, 8 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
AME-SE
Desejar a
companhia de alguém é uma coisa; imaginar o outro como um escravo particular
para curar suas inseguranças é outra.
E é por
isso, e por tudo que ainda posso ser que descobri - e, por mais incrível que possa
parecer me apaixonei por esta possibilidade - que não estou pronto para amar.
Não estou pronto porque ainda tenho muito a fazer - conhecer o mundo é só o
primeiro passo. Sair da sua zona de conforto te traz tanta, mas tanta lucidez
que voltar para a caverna torna-se impossível - obrigado, Platão. Construo-me
com passos leves, calmos e muito - mas muito mesmo - despreocupados. E acho que
esse é o melhor conselho que poderei dar a alguém, quando me perguntarem sobre
felicidade.
Vá ser feliz
com você mesmo. A única coisa que te merece é o mundo - não somos prêmios
particulares, nem bônus de celular, nem números da Tele sena. Somos indivíduos
que, querendo ou não, doendo ou não, nascemos e morremos sozinhos. Encontrar
alguém que, ao invés de nos roubar, queira nos acompanhar nessa jornada, é sua
árdua missão particular - recebe-se o que se é refletido. Se atrás de você só
tem gente louca, quem está de ponta-cabeça é você (nota particular).
Descubra-se. Valorize-se em todos os seus trejeitos. Use algo mais curto (ou
mais comprido). Dance. Viaje. E, quando, por poesia - por descuido não, por
favor! -, alguém queira ficar, que seja para acrescentar.
Porque o
amor não é justo. Mas ele há de acontecer, um dia.
Luiz Menezes
domingo, 1 de fevereiro de 2015
SOU FEMINISTA . NÃO ODEIO OS HOMENS.
Neste ano não sobrou espaço para outro tema. Nunca se
discutiu tanto sobre feminismo e machismo como em 2014.
Foram tantos compartilhamentos de textos, discussões sobre
violência doméstica, “eu visto o que eu quiser”, reportagens sobre mulheres
líderes em ambientes corporativos, campanhas publicitárias, casos de traição, o
aborto nos debates políticos, homem brigando com mulher, mulher brigando com
mulher que a base do feminismo começou a misturar-se e perder-se
ideologicamente pouco a pouco.
Sabe aquela história do “não sei nada sobre, mas opino”?
Pois então, a distorção do feminismo como algo violento e de ódio contra os
homens é totalmente controversa ao que se prega. É pura falta de informação.
Quem se lembra do discurso da Emma Watson no UN Women este
ano?
“Eu tenho percebido que lutar pelo direito das mulheres têm
se tornado sinônimo de odiar os homens. Se existe uma coisa de que tenho
certeza nessa luta, é de que isso tem que parar.”
Entre dez minutos de discurso, foi essa pequena parte que me
chamou mais a atenção.
Mesmo o feminismo de Beyoncé que com todo o seu sexy appeal
possui um apelo diferente do discutido por muitas feministas, recebeu o seu
prêmio de melhor música do ano, segundo a revista Times, por “entender o
momento vivido pela sociedade”, que diz:
“Criamos garotas para serem concorrentes. Não para empregos
ou conquistas, o que seria uma coisa boa, mas para a atenção dos homens.
Feminista é a pessoa que acredita na igualdade política, social e econômica
entre os sexos.”
Você acredita nestas igualdades? Você acha que é justo ambos
os sexos terem os mesmos direitos?
Então você, homem ou mulher, também é feminista.
Isso não significa que você deve parar de preparar um jantar
que você faz com amor para o seu namorado, isso não significa que você não pode
sentir-se frágil às vezes, isso não significa que você deve ser menos feminina
e não usar sutiã e isso não significa que os homens devem ser submissos.
Ser feminista significa sentir-se feliz ao ler que o governo
do Recife tem divulgado um livro chamado "Reconstruindo vidas: mulheres
que romperam a violência doméstica", que conta com depoimentos incríveis
de dez mulheres recifenses que denunciaram o tratamento abusivo de seus
parceiros e deram a volta por cima. “O primeiro tapa arde na alma”, uma delas
diz.
Se você fica feliz por iniciativas como essa, mesmo sem
saber, você também é feminista.
Esses textos “mulheres estão chatas”, “apaixone-se por mulheres que têm
mais livros do que roupas”, “sou malhada, faço selfie ”, “ele traiu, ela perdoou porque
é machista”, olha, parem. Esse ataque gratuito que pelo jeito VENDE, é que tem
atrapalhado mais do que ajudado, principalmente em terras brasileiras.
Não precisamos sentir DESCONFORTO quando falamos que somos
feministas queridos amigos. Se alguém lhe disser que você está sendo hipócrita
porque você leu Cinquenta Tons de Cinza, ou porque você deixa o seu namorado
dirigir o seu carro, você responde a mesma coisa que a Luciana Genro respondeu
para o Danilo Gentili numa entrevista durante sua campanha pras eleições presidenciais.
Lembram?
“É, eu acho que você deveria se informar melhor”.
Existe muito mais amor no feminismo do que esse terrível
sentimento de "anti-homem" criado justamente pela sociedade machista.
Eu sou feminista e eu não odeio os homens. Eu sou feminista
porque acredito na igualdade entre os sexos de forma verdadeira e justa. Eu sou
feminista porque não quero que meus amigos homens pensem que chorar assistindo
um filme "é coisa de mulher".
Sou feminista porque respeito o próximo.
E você?
Pesquisa Site Obvious.
sábado, 31 de janeiro de 2015
COMO CONHECER AS PESSOAS?
Para melhor conhecer as
pessoas, o primeiro passo, e o mais importante, consiste em não usar a si mesmo
como padrão de valor ou referência.
Para conhecer bem o
outro, não é útil refletir assim: "eu no lugar dele agiria dessa ou
daquela forma". Cada mente é única, não comparável.
Quem compreender que cada
pessoa é única terá que lançar mão de outros recursos que não a introspecção
para conhecer direito o interlocutor.
Para conhecer com
objetividade uma pessoa é conveniente prestar atenção aos seus gestos, atos, à
forma como reage em determinadas situações.
Uma pessoa se deixa
conhecer pelo tipo de humor que aprecia, pelos trejeitos faciais, por suas
reações quando contrariada, magoada, agredida.
Em determinadas situações
podemos conhecer um pouco dos genuínos sentimentos de uma pessoa: se é
empática, solidária, se sente culpa genuína.
Quem consegue olhar o
outro de forma isenta funciona como um "hacker": tenta entrar em sua
mente para saber como ela efetivamente funciona!
Gykovate.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
PORQUE OS GRANDES PENSADORES ACABARAM, TRISTES, NA SOLIDÃO DA VIDA? SERÁ QUE CONHECER A VERDADE NOS LEVA A ISSO?
NA SOLIDÃO, TRISTE E DESILUDIDO: A MORTE DOS GRANDES PENSADORES EM MEIA DÚZIA DE TRISTES FINS.
“A solidão é o destino de todos os grandes espíritos”, diria
Schopenhauer. Também a desilusão, a tristeza, o sofrimento. Muita inteligência
e acurada visão de mundo não são, definitivamente, caronas para a felicidade. Certamente
o “contrário, a ignorância, tem mais facilidade em puxar a carroça”.
Olhando para a história, são poucos os grandes pensadores
que chegaram ao fim da vida ainda com esperanças, compartilhando felicidade
entre os seus. Talvez Platão aos 80, ou Sócrates, resignado, sorvendo a cicuta.
Talvez os filósofos cristãos esperando o paraíso. Kant aos 79, sem nem ligar
para isso, na demência do Alzheimer. Mas são estes exceções. No oposto, são
muitos os exemplos de suicídios, depressões, desilusões entre os grandes de
todos os tempos: desde Heráclito, o obscuro, ermitão misantropo, Aristóteles
banido de Atenas, Giordano Bruno nas chamas da fogueira, Maquiavel lambendo
botas, Descartes fugindo de todos, Hobbes, o irmão gêmeo do medo, Schopenhauer
na depressão, Cioran na amargura, Deleuze pulando pela janela...
Abaixo, meia dúzia de tristes e desiludidos fins de grandes
pensadores:
Sigmund Freud (1856 – 1939)
Em 1938, Freud deixou Viena para refugiar-se em Londres,
após a ocupação nazista da Áustria. Morreria no ano seguinte, aos 83, triste e
desencantado, desiludido com a civilização, lutando a sua última guerra,
carcomido pelo câncer. Freud deixou para trás os amigos, os filhos e os
interlocutores. Foi para Londres com a mulher e a filha, Anna, com as quais
compartilhou a solidão, quase sem falar, devido à doença que lhe desgraçou o
palato, a laringe, a boca. O cachorro o abandonou devido ao mau cheiro do
câncer, que lhe confundia o faro. A solidão só não foi absoluta porque Anna
Freud, com um amor quase materno pelo pai – amor de Electra, com o perdão do
mau uso da expressão –, ficou ao lado dele até o último suspiro, embriagado de
morfina. As quatro irmãs seriam executadas em campos de concentração, embora
ele não estivesse vivo para saber disso.
Friedrich Nietzsche (1844 – 1900)
A inteligência foi uma maldição para Nietzsche. Rejeitado
desde a infância, cercado de beatas melancólicas, jovem taciturno e solitário,
adulto fracassado, doente, incompreendido. Atormentado, pensou coisas “além do
bem e do mal”, colocou a inteligência no papel, escreveu muito, aforismos, poemas filosóficos de causar
aneurismas, publicou em vida, mas não foi lido. Ninguém entendeu, ninguém quis.
Como seu Zaratustra isolou-se em si, na arrogância de seu super, além do homem.
Esmagado por enxaquecas terríveis, perdendo a visão e a sanidade, pendulou de
um lugar a outro procurando a paz no mundo, em diferentes paisagens bucólicas,
sabendo que a guerra era interna. Enfim, triste, abandonado por todos e por si
mesmo, encontrou-se na Itália, hóspede de um simples quarto com catre e
cadeira, banheiro coletivo no corredor. Um dia, os pensamentos fincando como
alfinetes, vislumbres como cortes de navalha, escutou um cavalo sendo açoitado
na rua. Brados enraivecidos contra o indefeso animal, o chicote estalando,
sangue e relinchos para todo lado. Os transeuntes ocupados sem perceber a cena,
cada um preso em suas mesquinhas responsabilidades. Nietzsche rompeu à rua, em
desespero atroz, rangendo os dentes na direção do açoite, rosnando blasfêmias
contra o algoz. Era o fim do maior filósofo desde Kant: abraçado ao cavalo,
chorando, chorando, chorando seu desespero. Enfim, desmaiou para nunca mais.
Quando acordou era um nada, um catatônico Nietzsche sem frases inteligíveis,
olhar parado, babando. Morreu uma década depois, sob cuidados da irmã, Elizabeth Förster-Nietzsche,
aquela que não lhe compartilhou da inteligência e que, por falta dela, serviu
para a terrível interpretação de Nietzsche pelo Nazismo.
Karl Marx (1818 – 1883)
O jovem Marx se casou com uma moça de estirpe, aristocrata, Jenny von Westphalen, e com ela teve sete filhos. Deles a quase metade chegou à vida adulta, as três meninas, os outros morreram na tenra infância levados pela miséria. Fugindo da repressão a família Marx deixou a Alemanha, depois a França e a Bélgica, para enfim se instalar no Soho, em Londres. À época o bairro mais ralé, mais imundo e pobre, onde se podia pagar mais barato. Anos luz das galerias de arte, lojinhas de bibelôs e pubs encervejados que hoje dominam o Soho. Marx passou uma década afundado na miséria, afundando mais ainda a família no desespero porque se recusava a trabalhar em qualquer função que não fosse intelectual. Enfim, a herança dos Westphalen os alcançou e trouxe o sossego econômico da ironia: Marx que pregava o fim do direito à herança , foi socorrido pela parte que cabia à sua mulher. Mas a tranquilidade do dinheiro chegou tarde, acompanhada da doença que a definhou a olhos vistos. As filhas tomaram seus rumos, ficaram os velhos subversivos na companhia dos charutos de Karl e dos remédios de Jenny. Quando ela morreu, sobrou o velho barbudo, cercado de papéis e anotações, tomado de furúnculos, custando a respirar pelos problemas que o fumo entupiu nos pulmões, afundado na solidão e na paranoia, vendo inimigos brotando de todas as sombras. Quando seu cadáver foi encontrado, caído na mesa de trabalho, segurando a pena cheia de tinta, estava irreconhecível, seco, rachado, triste. Em nada lembrava o semblante revolucionário que ilustrou panfletos ao longo do século XX. Das três filhas que chegaram à vida adulta, duas se suicidaram após a morte do pai, do mesmo jeito, por injeções de veneno nas veias.
Michel Foucault (1926 – 1984)
Foucault viveu duas vidas: a da superfície – de aparências,
desde a juventude católica ao estrelato acadêmico – e a das profundezas – do
submundo, desde o ódio ao pai aos guetos de drogas e inferninhos sadomasô. Na
superfície, Michel Foucault foi brilhante, talvez o mais prodigioso pensador da
filosofia contemporânea, publicou vários livros, tornou-se referência
obrigatória para estudantes de filosofia, história, sociologia, política,
psicologia e quaisquer outras ciências humanas. Bibliografia obrigatória em
qualquer biblioteca de qualquer universidade do mundo. Um pensamento forte,
organizado, profundo, arqueológico, incontornável. Contudo, foi a outra vida
que lhe assombrou a existência. Escondido atrás da máscara, Foucault precisava
se esgueirar pelas esquinas, pelas sombras do submundo para encontrar a si
mesmo. Descendo as escadas, baixando os níveis, o pensador se transformava em
outro, degenerado, usuário de drogas, faminto sexual em encontros casuais com
estranhas criaturas da noite, ele mesmo uma delas. “Experiências-limite” entre
o mais radical erotismo e o flerte com a morte, com o perigo do encontro com os
estranhos, e mais assustador, consigo mesmo. Encontrou-se, divertiu-se, viveu
os extremos, viu a si pelas gretas, entregou-se. Pegou o mal da época pela veia
do desejo, definhou pela AIDS nos anos seguintes, atormentado pelas escolhas
que lhe dividiram a vida e o pensamento.
Max Weber (1864 – 1920)
A depressão acompanhou Weber por toda a vida. Teve pelo
menos dois grandes colapsos: o primeiro, na virada do século XIX para o XX, o
afastou da academia, do trabalho, de casa (rico quando tem depressão viaja); o
segundo o levou a vida, precipitando em meses a pneumonia que lhe foi fatal. De
família burguesa abastada, Max Weber foi intelectual por vocação, conforme ele
mesmo descreveria em um dos seus clássicos: “A Ciência como Vocação”. Produziu
muito, estudou demais, tudo, da religião à música. Escreveu, enfim, uma das
maiores obras já publicadas, “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”,
na qual virou a sociologia ao avesso ao romper com o ranço marxista e
contrariar, ao mesmo tempo, os cânones do positivismo francês. Também foi um
homem público atuante, inclusive como conselheiro alemão no ultrajante Tratado
de Versalhes, diante da derrota na Primeira Guerra, cargo de mãos e
inteligência atadas, trauma que o atormentou de culpa até a morte. Na guerra
tinha sido oficial em hospitais militares, vendo de perto o horror na forma de
estropiados, desfigurados, mutilados e cadáveres; na derrota carregou o fardo
de acompanhar a assinatura do tratado de rendição mais humilhante da história.
Nunca se recuperou. Voltou às pesquisas, às conferências, às salas de aula,
revisou e reeditou suas grandes obras, lutou mais um tempo, mas enfim,
resignado, “crítico e resignado”, entregou os pontos. Teve o segundo colapso,
afundou-se em depressão, não suportou a falta de sentido, o “desencanto do
mundo”. Adoeceu, desiludido, entregue à pneumonia que lhe quebrou a rija crosta
de aço.
Vítima do pessimismo, da má sorte e da ignorância Nazista,
Walter Benjamin foi um dos mais brilhantes e promissores filósofos da Escola de
Frankfurt, considerado por muitos o melhor de todos por lá. Erudito,
articulado, multifacetado, Benjamin era uma mistura de filósofo, escritor,
crítico literário, ensaísta e poeta. Protótipo da mente refinada do início do
século XX, colecionador de citações, apreciador de arte, tradutor de Baudelaire
e Proust, flanêur nas passagens de Paris. Combatente feroz da modernidade e,
contraditório, moderno por excelência, Benjamin carregava a veia romântica,
melancólica, crítica, nas leituras que fazia de diversos temas, entre a
história da arte e o cinema, na “era da reprodutibilidade técnica”. Fracassado
no amor, abandonado em ilusões, muito aquém do sucesso que alcançaria após a
morte, Benjamin ainda teve o azar de ser judeu na Alemanha Nazista. Fugiu
primeiro para Paris, percorrendo os boulevards e as passagens, mas também o
azar o seguiu de perto. Também Paris cairia ante os Alemães. Agarrando-se às
últimas esperanças, partiu para os Pirineus, tentando alcançar a fronteira
espanhola e, depois dela, a liberdade. Quando chegou, a aduana estava fechada
para fugitivos judeus como ele. Pessimista, desiludido, em profunda tristeza,
trancou-se num hotel-pulgueiro qualquer e aplicou uma dose cavalar de Morfina,
num suicídio indolor. Ironia da má sorte que o perseguiu, no dia seguinte a
fronteira foi aberta e todos passaram.
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